A Raízen apresentou, no dia 27 de maio de 2026, os principais termos do seu Plano de Recuperação Extrajudicial. O documento detalha como a empresa pretende reorganizar uma dívida bilionária, injetar capital novo e oferecer diferentes opções aos credores.
A companhia possui uma dívida total de aproximadamente R$ 75,3 bilhões, dos quais cerca de R$ 65,4 bilhões estão incluídos no plano. O objetivo é reestruturar o passivo, melhorar a liquidez e dividir os negócios em duas empresas separadas: Raízen Combustíveis (distribuição de combustíveis no Brasil) e Raízen Energia (etanol, açúcar e bioenergia, incluindo operações na Argentina).
Aporte de capital dos acionistas
Um dos pontos centrais do plano é o reforço de capital pelos controladores. A Shell se comprometeu a investir R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Investimentos (ligada a Rubens Ometto) pode aportar até R$ 500 milhões. No total, pode chegar a R$ 4 bilhões em nova capitalização.
Três opções para os credores
O plano oferece três alternativas principais:
1. Opção A (Principal)
- 45% do crédito convertido em ações da Raízen (ao preço de R$ 0,25 por ação).
- 55% transformado em nova dívida, dividida entre as duas novas empresas (Raízen Combustíveis e Raízen Energia).
- Manutenção da moeda original (real, dólar ou euro).
- Juros atrativos e prazos alongados até 2032–2035.
- Possibilidade de capitalização de juros nos primeiros anos na parte de Energia.
2. Opção B (Haircut longo) Aceita uma redução de 80% do valor devido em troca de um título único com vencimento em 2047 (21 anos), corrigido pela TR.
3. Opção C (Pagamento à vista) Destinada a credores menores. Pagamento imediato de até 75% do crédito ou R$ 9.750 (o que for menor), com limite total de R$ 150 milhões.
Nova governança
Após a reestruturação, os credores devem deter cerca de 83% do capital da empresa, o que representa uma forte diluição dos atuais acionistas. O plano prevê maior participação dos credores no conselho de administração.
Próximos passos
O plano ainda precisa de aprovação da maioria dos credores. As assembleias estão previstas para as próximas semanas. A conclusão completa do processo deve levar alguns meses.
A Raízen busca com essa reestruturação reduzir o endividamento, ganhar fôlego financeiro e retomar o crescimento sustentável nos próximos anos.




